Novo estudo destaca os benefícios clínicos e econômicos da terapia CPAP em pacientes de apneia do sono com diabetes do tipo 2

O estudo sugere que o tratamento com CPAP em pacientes com AOS leva a uma melhor gestão da diabetes tipo 2 e maior economia de custos para o NHS

SAN DIEGO – 30 de abril de 2014 – A terapia CPAP, padrão-ouro no tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS), reduz significativamente a pressão arterial em pacientes de AOS com diabetes tipo 2 (DM2) e permite um controle significativamente melhor da diabetes, além de proporcionar uma utilização eficaz dos recursos do U.K. National Health Service (NHS, o serviço nacional de saúde do Reino Unido). Isto de acordo com um novo estudo patrocinado pela ResMed, líder mundial no tratamento de distúrbios respiratórios do sono e outros problemas respiratórios. Essas observações podem alterar decisões de tratamento futuras e levar a uma melhor gestão da diabetes tipo 2 em pacientes com AOS e vice-versa.

A AOS não tratada, uma condição que afeta cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo, tem sido associada à DM2, independente dos fatores de risco correspondentes. De fato, de acordo com pesquisa publicada no Endocrine Practice, a prevalência de AOS moderada em pacientes com DM2 foi relatada como sendo de 49 por cento nos homens e 21 por cento nas mulheres em todo o mundo – e este número deve aumentar, já que a prevalência de DM2 e obesidade continua a aumentar tanto no Reino Unido quanto nos EUA.

"Ao longo da última década, a pesquisa tem feito inúmeros paralelos entre a AOS e a DM2", afirmou o Dr. Holger Woehrle, vice-presidente de pesquisa clínica e diretor médico da ResMed Europa. "Estudos descobriram uma relação entre a AOS e o aumento da resistência à insulina, independente da obesidade. Além disso, os distúrbios do sono e a hipóxia intermitente causados pela AOS estão associados à menor tolerância à glicose, à maior resistência à insulina e a outras alterações metabólicas significativas, afetando o metabolismo da leptina e da grelina. Identificar o tratamento que possa minimizar as implicações clínicas e de gastos com a saúde resultantes disso é crucial".

O estudo, concebido por Julian F. Guest, da Catalyst Health Economics Consultants do Reino Unido, usou um estudo de caso-controle durante o qual 300 pacientes com AOS e DM2 foram selecionados aleatoriamente a partir de um banco de dados de pacientes de abrangência nacional para pesquisadores do Reino Unido e analisou o custo total do NHS (Sistema Nacional de Saúde) e os resultados da gestão de pacientes por um período de cinco anos nos 150 pacientes que se submeteram à terapia CPAP, em comparação com os 150 pacientes restantes não tratados.

Os pesquisadores descobriram que o uso de terapia CPAP estava associado a uma pressão arterial significativamente reduzida aos cinco anos e níveis de HbA1c progressivamente menores ao longo de cinco anos consecutivos, em comparação com os pacientes de AOS não tratados. Aos cinco anos, o nível de HbA1c no grupo tratado com CPAP foi de 8,2 por cento, contra 12,1 por cento no grupo de controle.

O estudo também demonstrou que o uso de CPAP levou a um aumento do nível de saúde dos pacientes de 0,27 AVAQ (anos de vida ajustados pela qualidade) por paciente ao longo de cinco anos e só aumentou os custos de gestão do NHS em £ 4.141 (cerca de R$ 16.500) por paciente durante o mesmo período de cinco anos. O NHS usa o AVAQ para medir o quanto a vida de um paciente melhora com um tratamento. Se um tratamento custar mais de £ 20.000 (cerca de R$ 80.000) por AVAQ obtido, ele não é considerado economicamente compensador nos padrões do NHS. Os pesquisadores descobriram que o custo por AVAQ obtido com CPAP foi de £ 15.337 (cerca de R$ 61.300), o que sugere que o tratamento com CPAP em pacientes com AOS e DM2 representa uma utilização eficaz dos recursos.

"Sabe-se bem que a AOS é muito comum em pacientes com diabetes tipo 2. No entanto, o que permanece desconhecido é o impacto da AOS e do tratamento com CPAP sobre os resultados relacionados à diabetes", afirmou Abd Tahrani, cientista clínico do NIHR na Universidade de Birmingham. "Portanto, são muito interessantes e importantes os resultados do estudo de Julian F. Guest e seus colegas mostrando o impacto favorável da CPAP sobre a pressão arterial e o controle glicêmico e que o tratamento com CPAP é economicamente compensador em pacientes com AOS e DM2. Essas descobertas destacam a necessidade de estudos clínicos bem planejados para avaliar a eficácia do tratamento com CPAP em diabetes e resultados relacionados, o que terá um impacto significativo sobre a assistência prestada aos pacientes com DM2".

O artigo está disponível online em Diabetes Care: http://care.diabetesjournals.org/content/early/2014/04/02/dc13-2539.full.pdf+html